Início » Segunda » Sobre silêncios, formas e fôrmas.

Sobre silêncios, formas e fôrmas.

Há tantas formas de silêncio, que não há de existir um silêncio que seja exatamente igual ao meu; ao seu, ou o daquela senhora ali, ó, sozinha, sentada no banco preferencial do ôninus “Terminal Campo Limpo / Paraíso”;
Olhando pro chão, olhando pra mão, pra dentro dela mesma…

Ela, preferindo a sua casa cheia dos filhos como outro dia; dos netos, como outro dia; do cachorro cinza e da gata laranja, já velha, como outro dia, a solidão de um ônibus de domingo à tarde. Chuvoso e frio.

Ela, saindo do nada, e indo pro mesmo lugar.
Mas pegando um ônibus pra isso.
O preço do silêncio? Três reais.

Há tantas fôrmas pro silêncio, que há de existir uma em que se encaixe exatamente o que você está sentindo.
Pelo que quer que seja, há de existir um silêncio pra você. Com o seu tamanho; seu jeito de andar quando a chuva aperta.
Ou que durma no mesmo lado da cama do qual você não abre mão.
Mesmo quando é visita.

Há de existir.
Você vai ver.
E vai tê-lo, também.
Ninguém escapa do silêncio na vida.
Ninguém (e para quê escapar?)

Um silêncio pelas ideias que não viram ações;
pelas amizades que viram dores;
pelas paqueras que não viram namoros;
pelos namoros que não viram histórias de Amor;
pelos casamentos que viram tratados de boa convivência.
E só.

Ou, silêncio pelo Amor, que, simplesmente, não vira.

E nos revira em dez, em vinte pedaços.
Cada vinte com o seu silêncio.
Cada vinte com o seu próprio silêncio.

Irônico é termos silêncio com tantas coisas gritando na gente.
Com tantas coisas gritando a gente;
Com tantas coisas fazendo nascer o contraditório ao silêncio: uma enxurrada de palavras.

Irônico é silenciar, quando o que mais se quer é exatamente compor uma música qualquer de Amor do Cartola,
e botar pra tocar a noite inteira na beira da cama do coração do seu silêncio…

Ouça só:
A música diz que o silêncio é uma prece, meu Bem.
E que essa nunca será a minha “última Oração pra salvar seu coração”.

Nunca será.

(me lembrei que junto com os meninos do Núcleo de Comunicação Maré Alta, do Campo Limpo, fizemos uma vez uma mega intervenção de dia inteiro sobre o Dia do Silêncio, no Projeto Arrastão)

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s